“Multi-touch” Todo Seu

Cubit

Faça você mesmo seu próprio display Multi-touch, já que isso deixou de ser privilégio de alguns apenas como Apple, com o novo iPhone, e Microsoft, com seu Surface.

MS SurfaceAgora com parcos resursos já é possível chegar lá. É só adquirir kits de software e hardware para montar uma mesa multi-touch toda personalizada. Claro, isso é possível por causa de um conceito mais amplo de código aberto, não se compartilha apenas software, informação sobre hardware também.

Quando o novo iPhone foi apresentado por Steve Jobs na Macworld, a característica mais marcante que arrebatou suspiros foi a interface touch-screen, que permite mais que um toque ao mesmo tempo. Essa tecnologia “multitouch” adiciona funções tais como permitir que uma pessoa facilmente aproxime ou afaste (zoom in, out) figuras e páginas da web comprimindo a tela com dois dedos ou mais.

Mas o poder total da tecnologia multitouch pode ser expansiva e solta em telas bem maiores que em telefones. Nos últimos anos, Jeff Han, cientista pesquisador e consultor junto à Universidade de Nova York, tem desenvolvido uma maneira econômica de fazer grandes telas multitouch acomodando 10, 20 ou até mais dedos. Ele prevê aplicativos variando de “quadros-brancos” interativos a mesas de touch-screen e paredes digitais— muitos dos quais podem ser manipulados por mais de uma pessoa. E neste mês Hans revela Perceptive Pixel, sua nova empresa baseada nessa tecnologia.

“O novo iPhone é pequeno demais para ser um aparelho multitouch interessante pelo fato da tecnologia multitouch implicar em múltiplos usuários”, afirma Han, que demonstra a sua tecnologia de forma descontraída mas surpreendente, trabalho plausível, não perca:

Várias pessoas ao redor de uma mesa podem ser colaboradoras mútuas, já que se tornam usuários múltiplos. Tal colaboração poderia tomar várias formas, desde sessões de tempestade de idéias usando quadros-brancos interativos e conectados até colaborações animadas nas quais, por exemplo, seis mãos podem esculpir a face de um monstro. A Perceptive Pixel está se preparando para enviar sua primeira tela de toque interativo tamanho-parede para um cliente militar não revelado ainda este mês.

Existem várias maneira de construir uma tela multitouch. Dentre elas, a opção escolhida pela Apple é um grande segredo bem guardado e responsável pelo sucesso do sonho de muita gente, naturalmente.

Engenheiros da Eyebeam, centro de arte e tecnologia sediado em Nova York, criaram uma versão em escala reduzida do Surface, chamado de Cubit. Através de compartilhamento do código-fonte do software e esquemas do hardware do Cubit, os engenheiros estão baixando significativamente os custos de construção de uma mesa multitouch. Mas eles também estão promovendo inovação ao prover engenheiros com plataforma aberta para desenvolver aplicativos novos com essas ferramentas— algo que eles se privaram no passado.

ArmaçãoSimplificando

Addie Wagenknecht, também da Eyebeam, projetou o Cubit numa tentativa de “desmistificar o multitouch”. Ela e seu colaborador Stefan hechenberger “queriam provar que qualquer um poderia construir uma mesa multitouch se tivesse apenas algumas coisas simples”, afirma Addie. Além de disponibilizar o software Cubit online, Wagenknecht está vendendo vários kits de “faça-você-mesmo” que incluem peças e instruções, planejado para pessoas com um certo nível de conhecimentos em engenharia. Somando tudo, uma mesa multitouch pessoal poderia sair por algo em torno de US$ 500 A $ 1.000,00, dependendo do tipo de hardware usado, diz Wagenknecht.

Multitouch não significa nova tecnologia. Na verdade, isso já é feito em laboratório há decadas. Mitsubishi criou a DiamondTouch, Jeff Han desenvolveu a WSMS que é vendida para empresas e grandes agências governamentais. Mas por causa da queda do custo de muitos componentes de touch-screen, tais como fontes de luz infravermelha, pequenas câmeras e projetores, agora tudo ficou factível para pessoas sem acesso a um laboratório ou capital de risco para fazer seus próprios displays a toque de tela.

Jeff Han demonstrando seu multitouch de parede.

Perceptive Demo

O Surface da Microsoft tem um projetor de imagens, emissores de luz infravermelha e cinco câmeras abrigadas em sua base. De acordo com Kyle Warnick, um gerente de marketing da Microsoft, tanto o projetor quanto o emissor infravermelho refletem de baixo para o topo da mesa. Quando um objeto tal como um dedo ou um celular está em contato com a superfície, ele reflete a luz infravermelha de um jeito característico, e o reflexo é captado pelas câmeras abaixo. Atualmente a Microsoft não tem planos para abrir o hardware nem o software do sistema a desenvolvedores.

Faça você mesmo

Wagenknecht diz que o seu sistema funciona de um modo similar. Cubit é uma mesa em forma de caixa, um caixão, com uma superfície clara. A câmera sob a mesa, dentro da caixa, pode ser uma simples webcam com um filtro infravermelho acoplado, e um pequeno projetor de imagens que pode ser comprado por cerca de US$ 300,00.Luz infravermelha Ela diz que um usuário simplesmente precisa conectar a webcam ao computador, instalar o software disponível no site do projeto do Cubit — que vez por outra é muito procurado—, ligar o projetor e projetar imagens sobre a tela. Em seu kit, ela inclui uma tela de tampo de mesa que possui um revestimento que facilita o serviço da câmera ao rastrear objetos, ela acrescenta. Também incluídos no kit, tiras de LEDs de infravermelho que refletem no reverso da tela, muito parecidas com as fontes de luz infravermelha que a Microsoft usa. TouchKit, que contém o código-fonte, faz parte do Cubit.

Do it yourself

Os pesquisadores da Eyebeam vendem kits que permitem que você construa sua própria mesa multitouch. Nesta figura, a estrutura do Cubit está completamente desmontada. Para tornar o display funcional, o usuário tem que adicionar uma câmera de vídeo barata e um projetor, dentre outras peças de hardware. Contudo, não é tão difícil de imaginar e fazer um caixão mais ou menos nessas dimensões, marcenaria resolve.

Com algumas peças à mão, sendo muitas delas obtidas no Brasil mesmo, e um pouco de know-how, que neste caso é compartilhado, é possível construir uma mesa multitouch como tarefa de trabalho escolar para apresentar numa feira de ciências, por exemplo. Que tal?

Em exibição

Cubit esteve exposto no último fim de semana, dias 3 e 4 de maio, em San Mateo, Califórnia, na “Maker Faire“, uma vitrine para tecnologia, artes e ofícios do faça-você-mesmo. Outros projetos de multitouchh também estiveram representados. Uma equipe de engenheiros independentes demonstrou uma mesa multitouch cujo desenho é similar aos displays de Jeff han. Neste sistema, a luz infravermelha que é detectada pelas câmeras é projetada para dentro da tela a partir das laterais, rumando para dentro da tela, retida até que um objeto toque a tela e a disperse. Além disso, Johnny Lee, um estudante graduado da Carnegie Mellon University, em Pittsburgh, está apresentando um outro projeto multitouch no qual ele usa a câmera de infravermelho de um controlador de Wii para fazer um “quadro-branco” por menos de US$ 50,00.

Seguindo rasto dos seus dedos com Wiimote:

“Whiteboards” de baixo custo com Wiimote.

Ponderações

Projetos como estes ilustram duas tendências impostantes em tecnologia, diz Tim O’Reilly, fundador da O’Reilly Media, a empresa publicitária detentora das revistas ‘Make’ e ‘Craft’ exibidas na feira. Primeiro, o custo em declínio de hardware capacita pessoas a brincar com alta tecnologia sem correr um alto risco financeiro. Segundo, as pessoas se juntam em comunidades online, tal como Instructables.com e wikihow.com, para compartilhar suas idéias, revolver problemas e começar projetos colaborativos.

Tradicionalmente, O’Reilly diz, a comunidade de código aberto tem enfocado software, mas em anos recentes tem havido um grande estímulo para compartilhar mais informações sobre hardware. “O que estamos vendo são hackers se engajando no mundo das coisas no modo que eles costumavam agir no mundo do software,” ele diz. E quanto mais pessoas são capazes de contribuir para desenvolver e melhorar tecnologia, mais chance haverá para inovação.

Petrosky

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