Lavar Roupa — O Que?!

Tecidos que se limpam ao sol. Dióxido de titânio é o principal agente autolimpante de roupas como novidade para novas “lavanderias”.

amostras.jpgAssim ficaria fácil demais, ou, difícil para quem fabrica máquinas de lavar roupa ou sobrevive desse ofício.

Os resultados animadores variam dependendo do tipo de mancha a qual a roupa foi submetida. Nos testes, a mancha mais difícil de sair foi de vinho tinto que exigiu 20 horas ao sol; manchas de café, em 2 horas; manchas de tinta azul desaparecem em 17 horas sob radiação ultravioleta.

Na verdade, são dois estudos em um só tema: uma modalidade de revestimento têxtil que absorve sujeira e depois se limpa ao sol; e uma variedade de materiais com microestruturas modificadas que reagem de forma diferente tanto à água quanto ao óleo.

Estudo 1

Pesquisadores australianos da Universidade de Monash, em Victoria, descobriram que usando nanocristais de dióxido de titânio em revestimento de fibras naturais como lã, seda e cânhamo, poderiam garantir autolimpeza através da remoção automática de sujeira, comida e até mesmo manchas de vinho tinto, quando expostas as roupas à luz solar. Por outro lado, esses nanocristais são incapazes de decompor a lã e ainda inofensivos à pele. Ademais, o revestimento de nanopartículas não muda o aspecto e a sensação que se tem do tecido.waliddaoud.jpg

Dr. Walid Daoud e seus colegas revestiram as fibras com fina camada invisível de patículas de dióxido de titânio. Este, usado também em filtros solares, pastas de dente e tintas, é um forte fotocatalizador, ou seja, na presença de raios ultravioletas e vapor d’água, forma radicais de hidroxila, que, por sua vez, oxidam ou decompõem material orgânico.

As camadas de dióxido variam entre 4 e 5 nanômetros. Já experimentaram revestimento em algodão que se mostrou mais fácil, já as fibras de lã, seda e cânhamo têm uma proteína chamada queratina que não possui nenhum grupo químico reativo em sua superfície para unir-se ao dióxido de titânio.

exposed-anatase-tio2-nanosheets.gifNo processo em si, os pesquisadores modificam quimicamente a superfície das fibras de lã adicionando grupos carboxílicos, que atacam duramente o dióxido de titânio, submergindo as fibras numa solução nanocristalina.

Idéias semelhantes não são de hoje. Mas é bom lembrar que tecidos desse tipo já disponíveis no mercado tipicamente possuem revestimento repelente à sujeira que faz com que gotas d’água sejam expelidas juntamente com a sujeira em vez de serem absorvidas pelo tecido para posterior remoção ao sol, como no caso em estudo. Vantagem neste caso com nanocristais, pois o tecido não libera a sujeira acumulada quando em contato com qualquer superfície.

Um setor que pode beneficiar-se muito com isso é a área de saúde, pois o dióxido de titânio destrói agentes patológicos como bactérias na presença da luz solar, através da demolição das paredes de células de microorganismos. Tecidos autolimpantes podem fazer parte de procedimento padrão de higiene em ambientes hospitalares como forma de prevenção a infecções patogênicas, uma vez que microorganismos patogênicos podem sobreviver por até 3 meses em tecidos têxteis.

A idéia de material autolimpante não é nova. Pó de dióxido de titânio é adicionado à tinta em camada superfina e transparente (espessura que mal chega a 10 nanômetros) para o efeito autolimpeza de janelas.

Estudo 2

Outro campo de pesquisa sobre autolimpantes abrange materiais que reagem de acordo com o líquido em contato. É o que determina um estudo do Dr. Jeffrey Youngblood, outro pesquisador do grupo, e pesquisadores do MIT e do AFRL.

superhydroph_x220.jpgYoungblood estudajyoungblood.jpg microestruturais parecidas com teflon que agem de forma diferente quando em contato com óleo. Assim, sua estrutura muda para dispersar água através de filme fino, já em contato com óleo forma gotas que são facilmente expelidas ou dissovidas em água. Basicamente são dois componentes superoleofóbicos em questão: material com microestrutura muito parecida a superteflon associada a flúor e uma outra combinação com moléculas reforçadas com bastante flúor. Porém, este estudo não tem nada a ver com o papel do dióxido de titânio, pois tudo que é feito aqui é para repelir a sujeira, enquanto que com o titânio a reação ao sol é que remove a sujeira absorvida.

Youngblood reconhece que as técnicas para fazer materiais autolimpantes têm suas limitações. Materiais superhidrofóbicos, que repelem água, são tipicamente bons para remover partículas de sujeira, mas não se dão bem com óleo. Já os voltados ao óleo podem não funcionar direito com certos tipos de óleo. Enquanto que materiais revestidos com dióxido de titânio não agem sem longas horas de exposição ao sol.

Expectativas comerciais com esses produtos giram em torno de dois anos, pois algumas empresas já mostraram interessem em lançar essas novidades assim que ensaios laboratoriais assegurarem seu objetivo.

Há dúvidas a respeito. A durabilidade dos tecidos revestidos não seria abalada? O revestimento é para sempre, até acabar a roupa? São questões em estudo, dentre outras.

Petrosky

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2 Responses to Lavar Roupa — O Que?!

  1. fatima disse:

    Olá!

    Sua postagem me deixou curiosa: e quanto aos odores? Pois não é só a sujeira que levo em conta ao lavar minha roupa: enquanto ela não estiver beeeemmm cheirosinha, não sai da máquina.

    No que se referem às ditas máquinas, gostaria que algum inventor criasse uma em que você pusesse a roupa suja e ela saísse:
    a) lavada,
    b) seca,
    c) passada.

    Isso sim seria uma verdadeira REVOLUÇÃO no quesito ‘lavar roupas’.
    Gostei do site e tornarei mais vezes.
    Agradeço por ter incluído o meu em seu blogroll.
    Beijos, querido (ou querida, sei lá 😛 )
    😉

  2. Petrosky disse:

    Oi,

    Fátima, de trás para frente, percebe a minha voz… grossa…epaa!…ele.. 🙂 rsrsrs

    Agora, não se preocupe. Eu já escrevi ao Dr. Daoud pedindo esclarecimentos a respeito de várias questões que eu mesmo levantei enquanto escrevia o post, inclusive quanto a odor. Na última hora, eu eliminei um parágrafo em que constava um questionário pertinente a essa tecnologia, optando então por perguntar a um dos autores. Agora, só depende da resposta dele, se ele responder. Aguardemos. Assim que eu tiver retorno vou postar aqui como comentário.

    Por outro lado, a máquina faz-tudo ainda é sonho, mas…digamos, em termos…parte é possível hoje em dia. Senão vejamos: levar e secar já existe algo assim mas, hum, secar, nem tanto, precisa-se de algo mais eficiente. Agora, sair já passada? Ainda não. Eu arriscaria dizer que só optando por tecidos sintéticos, ou seda, que não criam vinco para não exigir esse trabalho. Mas não deixa de ser motivo de estudo, porque nem tudo é sintético ou de seda. Correto?

    Fátima, obrigado pelos sussurros do seu blog e pela visita, você é sempre bem-vinda!

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