Percepção Inovadora

Teórica ou pragmática?

É possível mudar… O pensamento é livre.

Não obstante o mundo de cada um de nós tenha seu próprio jeito de ser, próprio à individualidade, mal nos damos conta da possibilidade de ver tudo que nos rodeia sob outras óticas, no plural mesmo, nunca dantes imaginadas.

As nossas percepções normalmente não transcendem filtros aleatórios de tentativas de interceptação de pontos de observação de meios insólitos por causa de conceitos individualizados e rotulados já tidos como aceitáveis para cada experiência vivida, ou consolidação de pontos de vista previamente definidos no âmbito padrão. Isso tem seu lado bom pelo referencial que se tem de cada objeto em estudo como também pode atrapalhar princípios de mudança de raciocínio para situações ou decisões que poderiam ter outro desfecho caso esses estereótipos enigmáticos não existissem.

Não seríamos nós complacentes a essa alienação psíquica? Claro que nisso tudo tem algo muito agradável que sugere segurança interior, mas ao mesmo tempo certa inércia não condizente aos preceitos da dinâmica evolutiva do pensamento criativo.

Não fiquemos apenas na acepção conceitual. Há inúmeros exemplos do cotidiano que passam despercebidos desse olhar comum mas não de alguém atento acima do normal, não necessariamente virtuose. Vejamos alguns bem simples. Por que não comecemos observando uma colher, simples não é? Pois bem, aí sob vários aspectos nosso pensamento pode vagar. Primeiramente a questão lingüística, desde o berço quando a mamãe dizia ‘olha o aviãozinho’ e lá vai a colher na boquinha, que lindo! Desde então muitos elementos funcionais desse objeto se fixam em nossas mentes. Esse mesmo utensílio, claro, tem outras denominações nas outras línguas, mas sempre nos remete à imagem daquele objeto com tais características para o resto da vida. Esse mesmo raciocínio pode servir para um infinidade de coisas cotidianas, inconscientemente. Outras análises do mesmo alvo poderiam ser o formato, o material empregado, o custo, o tamanho e tantos outros. Contudo, se você imaginasse um talher três-em-um, o que mesmo? Sim colher, faca e garfo. Calma! Estamos apenas brincado de imaginar um dispositivo bem bolado (leve, versátil, simples e funcional), com comandos eletrônicos, que certamente poderia mudar o hábito tradicional de conservar tantas etiquetas à mesa. Outra idéia: o tradicional modo de lidar com talheres poderia ser diferente caso alguém inventasse um robô que fizesse todo o trabalho de alimentação sem o uso das mãos e ao mesmo tempo tratasse da assepsia. Seria uma verdadeira máquina de alimentar marmanjos, mas por que não? Estamos apenas na imaginação. Veja, de simples objeto passamos à mudança de hábito diário comum a todos nós. Uma aberração mas para efeito de saída do lugar-comum serve. Daí você pode continuar nessas maluquices e quem sabe patentear uma engenhoca como fruto desse exercício insólito. Quer mais um? O lápis. Esse é bom demais para o nosso estudo. Desde o primeiro A até os estudos mais avançados ele nos acompanha, e não quero aposentadoria dele não, que permaneça para sempre entre nós. Entretanto, vamos exercitar a imaginação. Que tal um dispositivo que unisse lápis, caneta e borracha no mesmo corpo com simples controle digital de troca opcional de acordo com a necessidade? Na verdade o que estaria grafando ou apagando não seria o resultado obtido hoje com grafite, tinta ou borracha, e sim efeitos eletromagnéticos com tais características. Absurdo? Mas ainda podemos ver esse instrumento sob vários aspectos, quantos relatórios ou estudos isso renderia ou, melhor, permitiria alterar o jeito de ser daquilo que chamamos de lápis? A matéria-prima vinda da natureza causa preocupação por questões ambientais, daí a necessidade de utilizar outros materiais adequados; o formato em si pode sugerir outros desenhos mais anatômicos para agradar públicos diferentes, ou mesmo com certas deficiências; do lápis à lapiseira, mas por que não um terceiro estágio que permitisse troca de coloração da mina para esquecer a grafia preta do grafite? Do lápis ao teclado e ao TouchScreen, mas por que não mais um passo que permitisse comunicação com o computador ou notebook, transformando impulsos nervosos em ondas eletromagnéticas? Só em pensar em fazer, tudo seria feito, assim redigir documentos seria moleza demais.

A abordagem acima refere-se a exemplos imagináveis para facilitar o entendimento de como imagens e concepções de objetos usuais comumente aceitas pelo nosso subconsciente podem no campo consciente, analogicamente, tanto ajudar quanto atrapalhar na evolução do pensamento.

O que mais me chama a atenção nisso tudo é o “estalo da criação” facilitado pelo ambiente psíquico favorável; a pré-disposição em despertar para o NOVO ou a receptividade de idéias transformadoras da realidade que vivemos. A ciência médica avança a cada dia em direção à cura ou mesmo ao tratamento mais rápido ou menos penoso de diversas doenças. Astronomia, física, química e outras áreas correlatas são exemplos de avanços tecnológicos. É o modo intrigante de pensar diferente que muitas vezes faz a diferença no contexto em si e eleva o conceito de muitos profissionais além de render avanços consideráveis para o bem de todos. Quer mais exemplos? A sua imaginação pode sugerir muito mais. O campo da informática renderia páginas e mais páginas sobre as múltiplas possibilidade de alteração ou criação de mais software ou aplicativo para melhorar ainda mais a nossa vida. Que o digam profissionais da tecnologia da informação. O sucesso de uma agência de publicidade, por exemplo, depende muito de criatividade, inovações e idéias ímpares com objetivos claros para agradar o público-alvo a que se destina. Logo, estímulos incomuns ajudam bastante. Claro que aqui só figuram idéias banais ou alusões sugestivas, invenções mesmo só mediante registro junto ao órgão competente de marcas e patentes —INPI, agora via internet—, naturalmente.

A inquietação com a mesmice tem gerado inúmeras idéias revolucionárias na história da humanidade. Às vezes a invenção não é tão singular assim. Quer um exemplo bem atual? O NANO, novo carro da Tata, veio para revolucionar conceitos e provar que é possível atender diversas camadas de interesse social a partir da propulsão de um veículo por meios econômicos e despojado de “complementos” desnecessários para esse fim. Resultado: baixíssimo custo e alta popularidade. E o que dizer do carro da MDI movido a ar comprimido que será fabricado no Brasil em breve? Sem combustível? Isso mesmo, simples não é? Por que eu não pensei nisso antes? É essa a pergunta mais corriqueira que se faz ao surgir algo de novo desse tipo.

Acredite na possibilidade de expansão dos conceitos habituais, e criação de diversos outros. Já que o pensamento é livre, vamos exercitá-lo para o nosso bem. Alguns relatos acima podem parecer um exercício muito maluco, mas podem significar, quem sabe, o começo ou a diferença entre o modo de ser atual e futuro de muitas coisas que nos rodeiam, ou, melhor ainda, o caminho para a descoberta de novos espaços, métodos, conceitos; novas obras, máquinas, equipamentos e dispositivos; novos sistemas, costumes, conceitos e comportamentos, hábitos e estilos de vida, sob outra ótica ou totalmente inusitados.

Boa sorte!!!

Petrosky

 

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2 Responses to Percepção Inovadora

  1. Helga Rackel disse:

    Ufa! rs
    Parabéns pelo texto! Fez-me lembrar de Platão, sobre a famosa “alegoria da caverna”. Meu professor de ciências sociais costuma dizer que o homem já nasce programado. Será que isso é verdade? rs
    Mas também, cada dia o ser humano busca o conforto em suas tecnologias. E para onde vamos? O conforto, o moderno, o prático tem propagado distanciamento e egoísmo. O convívio social vem se alterando de maneira espantosa! Será que estamos indo rápido demais?
    É… Para reflexão, aqui está uma frase do filósofo Voltaire: “O homem cria as ferramentas. As ferramentos recriam o homem.”
    Boa sorte!

  2. petrosky disse:

    Helga, hum…visita simpática, obrigado!

    Absorto de tudo ou abstinente do saber? Abstrato por natureza ou surrealista por vocação? Empírico contumaz ou aleatório em determinação? Seria o homem moderno um paradigma de seus próprios sonhos ou uma prospecção insólita?
    Questionamento para horas de reflexão. Todavia, cônscio de universo desconhecido infinitamente maior que o conhecido, prefiro auto-afirmação baseada num pensamento de Sócrates: “Só sei que nada sei”.

    Helga, estimulante a sua conotação, bem-vinda!

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